Com o foco no FST 2012
O primeiro sinal externo que vimos do Fórum Social Temático (FST) apareceu segunda-feira, um dia antes da abertura do evento, na forma de um pequeno cartaz na porta de um restaurante do Centro Histórico de Porto Alegre. Ele dizia apenas: “Abriremos sábado”. Ora, os restaurantes do centro costumam abrir apenas de segunda a sexta e aquilo era estranho, principalmente durante a canícula de janeiro, em que grande parte dos gaúchos tomam o caminho do mar. Entrei no restaurante e lá dentro já estava o som do FST. Com aquele ar descansado dos turistas, atirados para trás nas cadeiras, jogando conversa fora e rindo muito, o FST aparecia nos sotaques, principalmente em língua espanhola. Depois do almoço, encontramos mais dois restaurantes com cartazes semelhantes, um deles escrito em espanhol.
No dia seguinte, na marcha de abertura do FST, os movimentos sociais contabilizaram 20 mil pessoas, enquanto a EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação) calculava 30 mil. De uma forma ou de outra, é muita gente. Muita gente que veio para discutir os temas do Fórum: Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental. Muita demais para ser ignorada, apesar de que alguns órgãos de imprensa preferem fazê-lo, referindo-se somente às alterações e incomodações do trânsito, justo durante um evento que fala muito da política ambiental.
2011 é um ano ainda por ser entendido. Houve a primavera árabe, os Occupies, o 15-M espanhol, os indignados e toda uma onda de protestos pacíficos que recebiam convocações pela internet e que falavam em Democracia Real, horizontalização e descentralização… Enfim, 2011 apresentou fatos novos o suficiente para merecerem nossa reflexão, mesmo sob intenso calor. Por mais que alguns insistam em desconhecer, vivemos um momento histórico único pela simples razão de que nunca a sociedade teve instrumentos análogos de comunicação. O ativismo de hoje é muito diverso. A crise econômica teve como comentário uma série de manifestações de formato absolutamente novo. De nada adianta comportar-se de modo esquizofrênico, preferindo não olhar a nova realidade, mas apoiando ações violentas como a de Pinheirinho durante o final de semana.
Com efeito, nas primeiras palestras do FST falou-se muito em crise capitalista, no novo ativismo e em justiça social. A novidade mais clara é que todos os assuntos estiveram permeados de avaliações éticas, filosóficas e subjetivas, que tiveram o mesmo peso das opiniões e posturas políticas. Se as palavras de ordem trazem a rejeição ao neoliberalismo e às velhas soluções como as que a Europa insiste em aplicar à sua crise econômica, desta vez o cerne é a dignidade e o valor de cada ser humano. Talvez a valorização da questão ambiental leve todos a pensarem de uma mesma forma: não somos mercadoria, temos que salvar o planeta, mas há uma crise.
É dentro deste contexto que seguimos com nosso foco voltado para o FST 2012. A importância que estamos dando ao evento pode ser vista não apenas nos abanadores que distribuímos para conforto dos participantes, mas no esforço para traduzir em nosso portal o que acontece no evento. Acreditamos que o lema do FST — um outro mundo é possível — possa ser viabilizado através de discussões e conflitos desarmados.
No dia seguinte, na marcha de abertura do FST, os movimentos sociais contabilizaram 20 mil pessoas, enquanto a EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação) calculava 30 mil. De uma forma ou de outra, é muita gente. Muita gente que veio para discutir os temas do Fórum: Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental. Muita demais para ser ignorada, apesar de que alguns órgãos de imprensa preferem fazê-lo, referindo-se somente às alterações e incomodações do trânsito, justo durante um evento que fala muito da política ambiental.
2011 é um ano ainda por ser entendido. Houve a primavera árabe, os Occupies, o 15-M espanhol, os indignados e toda uma onda de protestos pacíficos que recebiam convocações pela internet e que falavam em Democracia Real, horizontalização e descentralização… Enfim, 2011 apresentou fatos novos o suficiente para merecerem nossa reflexão, mesmo sob intenso calor. Por mais que alguns insistam em desconhecer, vivemos um momento histórico único pela simples razão de que nunca a sociedade teve instrumentos análogos de comunicação. O ativismo de hoje é muito diverso. A crise econômica teve como comentário uma série de manifestações de formato absolutamente novo. De nada adianta comportar-se de modo esquizofrênico, preferindo não olhar a nova realidade, mas apoiando ações violentas como a de Pinheirinho durante o final de semana.
Com efeito, nas primeiras palestras do FST falou-se muito em crise capitalista, no novo ativismo e em justiça social. A novidade mais clara é que todos os assuntos estiveram permeados de avaliações éticas, filosóficas e subjetivas, que tiveram o mesmo peso das opiniões e posturas políticas. Se as palavras de ordem trazem a rejeição ao neoliberalismo e às velhas soluções como as que a Europa insiste em aplicar à sua crise econômica, desta vez o cerne é a dignidade e o valor de cada ser humano. Talvez a valorização da questão ambiental leve todos a pensarem de uma mesma forma: não somos mercadoria, temos que salvar o planeta, mas há uma crise.
É dentro deste contexto que seguimos com nosso foco voltado para o FST 2012. A importância que estamos dando ao evento pode ser vista não apenas nos abanadores que distribuímos para conforto dos participantes, mas no esforço para traduzir em nosso portal o que acontece no evento. Acreditamos que o lema do FST — um outro mundo é possível — possa ser viabilizado através de discussões e conflitos desarmados.
Este artigo retirado do Sul21, falando do FST 2012, demonstra mais uma vez na prática a força dos movimentos sociais e que quando há união "Um outro mundo é possível". Precisamos resgatar urgente o FSM para a nossa capital.
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