 |
| Adicionar legenda |
O Governo do Estado realizou nesta segunda-feira (9), na Capital, o painel Diálogos Femininos “Protagonismo Feminino na Luta contra a Ditadura Civil-Militar”. O evento - que encerrou o calendário dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher – “Por Mais Direitos, Educação e Trabalho” - reuniu secretários de Estado e feministas no Memorial do Rio Grande do Sul.
A secretária de Política para as Mulheres, Ariane Leitão, afirmou que o objetivo desta primeira edição foi mostrar a participação das mulheres na construção da sociedade atual. “Se hoje estamos aqui, é porque muitas mulheres entregaram suas vidas em favor da democracia”.
Promovido pela Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES-RS) o debate contou com a presença de personalidades que atuaram ativamente da luta contra a ditadura no Brasil. “A participação das mulheres na resistência à ditadura implicava em um comportamento transgressor da moral-social”, destacou o secretário de Estado da Cultura, Luiz Antonio de Assis Brasil.
O secretário do CDES-RS, Marcelo Danéris, destacou a importância do resgate da história da participação feminina no período da ditadura para a formação de uma nova sociedade. “Quando tu põe a mulher na história do enfrentamento à ditadura, tu resgata o papel da mulher na sociedade, que não é igual ao do homem, é diferente e precisa ter suas diferenças respeitadas. Só assim teremos uma nova sociedade”.
Além do debate, o encontro também teve o objetivo de dar início à formação do “Acervo da Luta das Mulheres na Ditadura do Mercosul” em Porto Alegre, que contará com a contribuição de acervos já existentes no Uruguai, no Chile e na Argentina.
Histórias de luta
A socióloga Lícia Peres contou como organizou, a pedido da atual Presidenta Dilma Rousseff, o ‘Núcleo Feminino pela Anistia’, em 1975. “O Movimento Feminino pela Anistia foi o primeiro movimento organizado contra a ditadura”, disse Lícia, lembrando que, na época, havia um ambiente de ódio contra as pessoas que ousassem se manifestar. “As contestações não eram toleradas”.
Lícia destacou destacou a necessidade de trazer à tona respostas que, décadas depois, ainda não foram apresentadas. “Vocês imaginam o que é a dor de não poder velar seus mortos? A dor do desaparecimento? Ainda paira no Brasil a sombra dos desaparecidos brasileiros. Há que se ter uma resposta. É muito importante passar o Brasil a limpo”.
Ignez Maria Serpa, conhecida como Martinha, lembrou a dificuldade de fazer parte da resistência em uma sociedade conservadora. “No momento em que tu fazia a opção de resistir era extremamente problemático dentro da própria família”, disse, lembrando que a repressão contra o movimento estudantil foi a gota d´água para que ela ingressasse no movimento armado. “Decidi que não dava pra lutar contra a ditadura de forma pacífica, então entrei pra Vanguarda Armada Revolucionária”.
Texto: Luana Mesa e Letícia Souza
Foto: Gustavo Gargioni/Especial Palácio Piratini
Edição: Redação Secom (51) 3210-4305